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Compreendendo os Transtornos Alimentares |
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Considerando
as drásticas mudanças físicas, as alterações no comportamento sexual, a
pressão psicológica exercida pelo grupo, a sedução exercida pelos meios de
comunicação e a ansiosa busca por uma identidade, alinhadas a maus hábitos
alimentares, como fast foods, cantinas
de escolas, a cultura do comer em frente à TV e o desinteresse pela composição
e valor nutricional dos alimentos, o adolescente torna-se vulnerável. A sociedade atual valoriza demais o
ato de comer, o almoçar fora ou o convite de amigos para um
jantar, tornando a alimentação muito importante socialmente. “A
comida passou a ser utilizada como uma troca de mensagens com o ambiente:
come-se para mostrar, provar, evitar, controlar, reprimir algo. E cada aspecto
dessa atividade sustenta uma enorme indústria de consumo. Há alimentos para
bebês, para crianças, refeições rápidas, alimentos integrais e, é claro,
os light e diet.”
(Kaufman, 2000). Ao mesmo tempo em que a publicidade
divulga restaurantes maravilhosos com pratos lindos, divulga também inúmeras
formas de regime, centros especializados e estética corporal, lipoaspiração...
além do modelo de beleza, baseado na magreza excessiva, onde só é valorizada
a mulher que se enquadra nas medidas tidas como referência. A mulher passa a
perceber a comida como algo muito bom, mas só para os outros, não para elas. “Diferenças
de gêneros (masculino e feminino) com relação a problemas alimentares
aparecem já na adolescência. As mulheres experimentam mais conflitos
relacionados à comida, peso e forma do corpo do que os homens. As pressões
para se manterem magras já estão presentes, como pode ser notado através dos
regimes iniciados por meninas, que revelam um medo mórbido de engordar.” (Rolls,
Fedoroff & Guthrie, 1991) Mesmo
as crianças já demonstram uma certa preferência por outras crianças magras,
associados à inteligência e
agilidade no esporte, enquanto as gordinhas são postas de lado e normalmente
tornam-se alvo das piadas. Em
contrapartida estão as famílias com verdadeiro pânico pela magreza, fazendo
uso excessivo de vitaminas, complementos alimentares, farinhas, evitando o risco
de anemia. Esta posição é subitamente alterada sua quando chega a adolescência,
reprimindo o comer excessivo, evitando assim que o agora adolescente engorde.
Psicologicamente o adolescente sente-se perdido, diante de que posição tomar
diante da sua alimentação. Muitas
crianças não estão preparadas psicologicamente para as mudanças impostas
pela adolescência, tentando prolongar sua infância através de condutas patológicas.
Dentre essas condutas estão os Transtornos Alimentares. “Os
pais destes adolescentes costumam ser exigentes e controladores, tendo
dificuldades para enxergar as necessidades dos filhos, freqüentemente os
considerando como um prolongamento de si. A relação torna-se tão estreita,
que não há lugar para a necessária separação, individuação e diferenciação
entre pais e filhos.” (Bielsa, 1995) Certos
pais não aceitam o crescimento dos filhos e não facilitam essas mudanças,
convertendo seus filhos em seres conformistas e passivos, para priva-los da
independência. Estes filhos muitas vezes manipulam seu corpo, através da
ingestão ou rejeição de comida, para estabelecer um sentido de identidade. Os
filhos, nestes casos, são normalmente “bodes expiatórios” dessa dinâmica
familiar, eles têm uma posição de sustentação na frágil organização de
suas famílias, culminando num transtorno dessa espécie, daí a necessidade de
uma reestruturação da família como parte do tratamento. Com base nestas informações desenvolveremos este tema de forma a elucidar dúvidas sobre seu diagnóstico e tratamento. |
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