Conclusões desta Pesquisa

     Conclusões desta Pesquisa

 

Levando em conta todas as informações levantadas sobre a origem dos transtornos alimentares, concluímos que o papel da família é de vital importância para a saúde mental do indivíduo que, simbolicamente, é “eleito” inconscientemente pelos familiares como uma válvula de escape para os desejos, frustrações e conflitos internos de seus integrantes. O adolescente, vivenciando este fardo, não consegue lidar com a pressão externa, que é somada a seus conflitos típicos desta fase (como as transformações físicas, mudanças no seu comportamento sexual, a necessidade de inserção em um grupo, a busca de sua própria identidade...), somatizando o sentimento de poder controlar o mundo a sua volta, rejeitar o que ele julga não lhe servir ou dominar-lo; sentimento este que não pode ser exteriorizado de uma forma que não agrida seu psiquismo.

O alimento tem importante função social e nessa dinâmica familiar que fornece estímulos ambíguos quanto à conduta correta a seguir, que é inflexível quanto às mudanças necessárias a fase adolescente e que se baseia na incorporação do outro, culmina na associação, pelo adolescente, do alimento com sua forma de lidar com o mundo. No caso das bulímicas e anoréxicas, esta associação idealiza formas exteriores perfeitas que servem como fuga para tudo de ruim que habita seu interior, mas não pode vir à tona.

A sociedade de consumo tem importante papel na formação de conceitos errôneos sobre a importância da forma anatômica nas relações sociais. A todo o momento estamos expostos à mídia capitalista, que  se torna cada vez mais globalizada, e dita a forma como devemos nos comportar, nos vestir, o que comer e aonde ir. O público adolescente tornou-se logo um de seus alvos principais na ânsia pelo capital. O padrão de beleza é ligado à magreza, e a ela são associados adjetivos como elegância e perfeição, fazendo com que o adolescente, com necessidade de auto-afirmação, se entregue a sedução dos padrões sociais de popularidade.

O tratamento destes transtornos costuma ser multidisciplinar e a terapia familiar é sempre aconselhada. Nosso desafio como terapeutas é o de fazer o adolescente se conhecer melhor e identificar suas emoções e sentimentos, podendo mudar seu comportamento e a lidar melhor com suas culpas e frustrações; fazendo-o olhar para dentro de si e enxergar quem realmente está lá, precisando de ajuda.

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